quarta-feira, 10 de junho de 2009

Histórias de ônibus

Quando eu fiz 12 anos e passei para 6ª série do ensino fundamental minha mãe resolveu despachar a condução e me mandar para escola de ônibus. Eu sei que no mundo que vivemos hoje isso não parece muita coisa, mas no meu tempo isso era fantástico! Era um passo em direção a independência! Era o maior orgulho encher a boca e dizer: eu vou de ÔNIBUS pra escola e SOZINHA!
Quando se tem 12 anos tudo é mais colorido, tudo é mais fácil, tudo é mais divertido. E pra mim, naquela época, até um ônibus ridiculamente lotado era engraçado. Lembro de uma vez ter entrado num ônibus tão cheio que meu corpo assumiu a forma de um S, tentando segurar em algum lugar, segurar minha mochila e desviar de esbarrar sem querer no traseiro de alguém. Eu tenho uma teoria sobre a qual catástrofes tendem a aproximar as pessoas. Uma delas é um ônibus lotado e/ou quebrado. Aproximar não só no sentido literal, estou falando da estranha necessidade que as pessoas sentem em falar com o estranho mais próximo. E as vezes MUITO próximo. Nesse mesmo dia me lembro de ter ido todo o caminho conversando e rindo com uma professora que eu não lembro o nome. Deve ser o fato de estarem todos passando pela mesma experiência desagradável que as pessoas começam a se falarem, talvez.
Quando eu ia pra escola meu sonho mais secreto era poder pegar o biarticulado, oh grande ônibus vermelho duplamente sanfonado! Mas eu pegava a droga de ligeirinho! Aliás, alguém tem que fazer alguma coisa pra mudar o nome dessâ coisa.
Bem, hoje as coisas mudaram. Eu pego o biarticulado de terça a sexta e não vejo nada divertido nem engraçado nisso. Na verdade chega a ser incomodo e irritante! E os ônibus lotados assumiram a forma de uma piada sem graça nenhuma. Vai entender porque se botar os olhos no Alimentador(ônibus laranja que entra mais nos bairros, para os não-curitibanos) que eu pego. Ele é sem exagero o coletivo (finalmente achando um sinonimo pra parar de escrever ônibus) mais lotado que eu já vi na minha existência. Toda vez que ele para no ponto eu comento com a pessoa ao lado: vai começar a guerra. É um empurra-empurra generalizado! Eu não sou muito a favor de dar um chega-pra-lá em velhinhas, mas quando elas começam a usar a bolsa pra te tirar da reta você começa a considerar a idéia de abrir uma exceção. Esse ônibus vai tão lotado que uma vez tinha 8 pessoas naquele espaço da escada, que deve ter uns 1,5m² no máximo. Infelizmente eu era uma delas.
O que talvez torne esse processo de deslocamento menos (ou mais, depende do ponto de vista) desagradável são as distrações no caminho. Pra mim são as histórias que o povo conta. Algumas tão loucas que a gente quase tem certeza que a pessoas se esqueceu que está no transporte público. Como um menino uma vez comentando com um amigo suas aventuras no campo da auto-depilação. Enfim, vou poupá-los dos detalhes mais sórdidos. Também já presenciei mães tentando desencalhar os filhos. Já ouvi coisas do tipo: - Ah, o meu filho arrumou um novo emprego agora! Carteira assinada e tudo! E fica tããããããããão bonito no uniforme da empresa. E agora que deixou a barba crescer, daquele jeito fininho bem-feitinho, meniiiiiina, ficou um pedaço de homem!
Meu assunto preferido de escuta, no entanto, é política. Ninguém num ônibus tem conhecimento suficiente pra discutir isso, mas todo mundo entra na conversa. Geralmente parte do ponto: - Mas esse prefeito devia por mais ônibus nessa linha!- Como se todo mundo que opta pelo transporte coletivo não quisesse a mesmíssima coisa.
Engraçado que as pessoas sempre tentam falar comigo ou pedir informações. Eu nem sou simpática nem nada e já entro no ônibus com aquela cara "Ta morto se tocar na minha mochila". Uma vez uma senhora sentou do meu lado e passou os 30 minutos da viagem me contando as fofocas do bairro. Ao que parece no dia anterior tinha morrido um monte de gente por causa do fim do namoro da uma menina. Essa dona sabia até a panificadora que a mãe da menina trabalha (que a propósito faz ótimos bolos de aniversário, de todos os sabores! e por uma pexinxa!).
A gente começa a abençoar o cara que inventou os fones de ouvido e tornou a paz no retiro de suas músicas preferidas possível.
Pelo menos pagamos só 1 real na passagem de domingo!

3 maldades alheias:

Anônimo disse...

Oiii
Ludii
Nem sabia q vc tinha um Blog ...
Bom agora que eu sei vou vir mais vezes!! ashsah
Gostei bastante dele!!
bjoO da Kety

Ricardo Miranda disse...

uai gente... Curitiba não tem o "melhor transporte público do Brasil"? Com esse texto não ficou parecendo não! usHushaushaus
Aqui em Belo Horizonte tbm rola isso.. =/

Mas, whatever... bom texto!
Parece ate fazer jornalismo! =)

Lisi disse...

Concordo com tudo que você disse!
;)

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