sábado, 15 de agosto de 2009

Um comentário sobre livros

2 maldades alheias


É bom avisar já: se você não leu A cidade do sol, nem leu ou assistiu O caçador de pipas é bom parar de ler por aqui (mas nem por isso está isento de comentar). Não quero ser acusada de estragar a surpresa da leitura ou algo assim. Mas prometo tentar não contar detalhes vitais do enredo.
Uma coisa eu preciso dizer de Khaled Hosseini - ele não tem medo de maltratar seus personagens. A galera sofre o livro inteiro. Não entenda isso como uma crítica negativa. Aliás esse post não é pra criticá-lo. Mesmo porque eu adorei os livros, de verdade.
A pergunta que eu quero fazer é POR QUE OS LIVROS TEM QUE TER TANTA TRAGÉDIA? Sério, a vida já é uma droga na maioria das vezes, será que a gente também tem que ler drogas de vidas alheias? Eu já sou, por natureza, uma pessoa meio chorona, lendo um livro desse eu desabei em lágrimas!
Mas eu super recomendo esses livros. Ele escreve aquele tipo de livro que marca sua vida literária, aquele que você jamais esquece e que você sente que de alguma forma (mesmo que mínima) te engrandece como ser humano. O tipo de livro que, em certa altura, você dá uma espiadinha nas últimas páginas pra ter certeza que o personagem vai conseguir seus objetivos. Porque você se afeiçoa a ele e sente uma ansiedade quando lê os perrengues que ele passa.
Até separei um trecho, umas das muitas frases marcantes do livro que te fazem refletir e se sentir idiota ao mesmo tempo, sabendo que jamais poderia escrever nada assim tão brilhante:
(...)fiquei imaginando se era assim que se brotava o perdão, não com as fanfarras da epifania, mas com a dor juntando as suas coisas, fazendo as trouxas e indo embora, sorrateiramente, no meio da noite. - O caçador de pipas, pag. 354
Mas voltando à minha pergunta inicial, por que tanta tragédia? Ambas as histórias se passam em partes ou integralmente no Afeganistão. A história do país é marcada por inúmeros confrontos internos e externos, os jihad. Teve a invasão soviética em 1979 e depois o domínio Talibã, o que quer dizer que o contexto já não é muito feliz.
Quando cheguei no final do livro (e isso mais em O caçador de pipas) senti como se o final não fosse bom o suficiente pra compensar as 365 páginas de desventuras em série (huhuhu, um ótimo filme, por sinal). Quero dizer, o Amir já sofreu o livro todo, será que o Sohrab precisava fazer aquilo nas últimas 10 páginas?
Enfim, isso não torna o livro menos incrível. O Hosseini junta, como disse Isabel Allende, grandes elementos da literatura e da vida para tecer os romances. Além de mostrar detalhes de outra cultura interessantíssimos.
E a resposta pra minha pergunta na verdade não existe. Não existe um porquê. Esse é o gênero do livro e ponto. É que você se apega ao Amir, a Miriam, ao Hassan, a Laila. Eles passam a ser seus companheiros diários. A história te envolve a tal ponto que você compartilha com os personagens os bons e maus momentos. Chega a sentir raiva de Assef ou Rashid. Confesso que quando a Miriam acertou uma pazada na cabeça do Rashid e ele mijou nas calças não consegui não-sorrir.
É, eu enrolei tanto pra dizer que os livros são bons. E que se alguém quiser ler eu empresto!
E já que falamos de histórias e narrativas e tal...
Bom, por sugestão da Yan eu entrei num concurso de contos das Livrarias Curitiba (incrições encerradas hoje). Mandei dois contos, ambos escritos na louca. Mas humildemente peço sua torcida. O prêmio é de um vale-compras de R$ 500 e o conto vai ser publicado na revista Ler&cia. Como o concurso é em territorio nacional e certeza de que um monte de gente com mais experiência no campo da escrita vai mandar contos pra ganhar de amadorezinhos só por diversão, minhas chances meio que são remotas. Mas as regras não mencionavam nada contra mandingas, certo?
E tashakor por ler até aqui ;)





segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Histórias de pronto-socorro

6 maldades alheias
Como venho tentando ultimamente fazer esse blog ter alguma utilidade pública, vou dizer a vocês o que os aguarda se, por acaso, precisarem ir a um pronto-socorro.
Li em algum lugar que pra aumentar as visitas no blog tem que usar no texto palavras muito procuradas no google. Então lá vai: GRIPE SUÍNA.
Como todo mundo sabe (pelo menos quem leu Crepúsculo sabe) em 1918 a Gripe Espanhola matou 2 milhões de pessoas. Nome do vírus: H1N1, nosso conhecido. Mas não estou aqui pra falar sobre o que todo mundo já sabe, vou falar de um lado que a mídia nao mostra, a espera nos pronto-atendimentos. E olha que não estou falando se SUS nem nada, é de clinica particular. (Omitindo nomes)
As coisas mudaram muito depois dessa epidemia. O alcool gel não para nas prateleiras, as escolas pararam, os mais neuróticos andam de máscara pra todo lugar. É claro que nas emergências médicas não podia ser diferente.
Já fazia uns 5 dias que eu apresentava dores de cabeça, dores de garganta, febre e meus olhos pareciam pesar uns 2 kg cada. Por isso no sábado meu pai resolveu me arrastar pro hospital. Hora de saída: 9:10 da manhã.
Primeira alteração: Logo na entrada, do lado esquerdo, noto uma caixa cheia de máscaras. Em cima uma placa com o seguinte dizer: "Se você apresenta sintomas de gripe por favor coloque a máscara". Vale lembrar que o por favor é mero enfeite, o uso da máscara é OBRIGATÓRIO. Não importa o quanto dói ficar com ela em cima da orelha, não importa que fique entrando no olho quando você fala nem que não dê pra entender uma só palavra ao preencher a ficha de entrada.
Segunda alteração: As cadeiras na espera estão cheias, mas não há cadeiras sobressalentes.
Sentamos e esperamos...e esperamos...e esperamos...A mulher da recepção disse que demoraria uma hora e meia pra chegar minha vez. Do meu lado senta uma mulher com fones de ouvido, mas ninguém a avisou que o alto-falante tava ligado. Então as trinta pessoas ali sentadas ficaram ouvindo sertanejo a manhã toda.
Terceira alteração: as mulheres da limpeza estão trabalhando dobrado. O cheiro de desinfetante predomina. Meu pai joga uma animada partida de tetris no celular pra perceber. Tento jogar Snake, mas meus olhos estão ardendo.
Lá pelas 10:20 da manhã a mulher sentada na cadeira atras de mim liga pra filha. A conversa se passa mais ou menos assim:
- Sim filha, eu ainda estou aqui esperando. Não ainda não fui atendida. É uma pouca vergonha isso. Estou sentada aqui já faz mais de 20 minutos!
Quarta (não) alteração: A emergência está cheia, mas não há médicos a mais. Na proxima meia hora um número espantoso de pessoas são atendidas - duas. Na outra ala de cadeiras de espera, a que fica perto da maquina de café, uma mulher acabara de desmaiar.
Enquanto isso, a mulher atras de mim faz nova ligação. De novo pra filha, coitada. Imagino o ódio que esse menina deve ter ficado se por acaso estivesse tentando dormir.
- Filha de Deus! Já são 11:15 e eu esperando ainda! Veja aí na internet se tem um tempo limite de espera. Porque assim não dá. Meia hora eles atendem duas pessoas! E só uma médica ainda. Tem um japones que não para no consultório. Todo mundo aqui morrendo e ele passeando!
No exato momento que ela falou morrendo os três na minha frente estavam rindo. Era uma mãe e dois filhos. Até agora não sei quem estava doente, porque eles pareciam achar tudo tão divertido quanto eu. Eles conversavam sobre filmes, especificamente Harry Potter. A menina apontava as cenas que achou nada-a-ver e a mãe ( que parecia saber mais da serie do que ela) dava a opinião. "mas que nada-aver aqueles passarinhos né mãe? Tem no livro? Eles atacam o Rony mesmo?" e "Que nada-a-ver aquele beijo né mãe?" ou "Mas A Toca pega fogo no livro? que nada-a-ver né, porque onde os Weasley vão morar?".
Às 12:10 um médico novo chega. Entra em um dos consultórios, acende as luzes e chama o primeiro nome: o meu.
Não é bizarro como os médicos apertam sua cara com os polegares e perguntam se dói? Claro que dói! Dexa eu fazer em você pra ver como dói!
Depois disso ele me encaminha para o raio-x. O que significa que eu ainda vou demorar pra ir pra casa. Mudo da espera da emergência pra espera do raio-x. O mulherzinha grita LUDMIIILA. Levanta eu e uma menininha. A recepcionista olha, pisca algumas vezes e acrescenta: SOUZA. Na trave.
Com o raio-x em mãos volto ao primeiro medico. Pra desespero da galera da espera passo na frente. haha. A mulher das ligações ainda está esperando.
Diagnosticada com Sinusite posso, enfim, voltar para casa. Na mão uma receita com 2 remédios.
Jogo a máscara no lixo, lavo as mãos com alcool gel e saio. Quando entro no carro olho o relógio automaticamente. 13:40.
Fazendo uma retrospectiva de tudo, o pior não foi nem a loooooooonga espera.
Quando fui tirar raio-x o cara mandou eu soltar o cabelo, que estava preso com piranha. Foi horrivel. Fazia dois dias que eu não lavava porque tava de cama e tal. Mas se notou não comentou nada.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um amigo chamado Cochonilha

6 maldades alheias
Originário no México, ele mede de 2 a 3 cm, é geralmente marrom ou amarelo e se alimenta, parasitando, de seivas de cactos ou plantas de umidade. Ele pertence a classe dos hemiptera e é parente próximo de cigarras e pulgões. Para se defender de predadores (geralmente joaninhas e vespas) ele produz uma substância chamada Ácido Carmínico.

No Brasil o Cochonilha (ou se preferir Dactylopius coccus) é uma verdadeira praga dos jardins. Uma evidência de sua presença são manchas brancas na parte inferior de folhas e brotos.

E não adianta recorrer a inseticidas porque ele tem uma casca dura que impede a penetração do veneno. Por isso é mais eficaz recorrer a misturas com óleo mineral e sabão, que uma vez que grudem no inseto evitam a respiração do mesmo.

Eis o protagonista deste tópico:


Certo, mas você deve estar se perguntando...Por que raios a Ludi está postando sobre um inseto? Depois de nos surpreender com suas crônicas [mal-feitas] do cotidiano, ela vem me falar da droga de um parasita de jardim?

Vou dizer porque: PORQUE VOCÊ JÁ COMEU UM DESSES! E talvez não um, mas váaaaaaaaaaarios!

Quer saber como? Vou dizer como. Ele está em tudo, tudo que comemos ou bebemos, tudo que tenha a sedutora aparência vermelha de morangos silvestres ou cerejas do campo. Até no que vestimos!

É claro que ao ler as embalagens de sorvete/recheio de doces/chicletes de morango, pitanga, melancia ou framboesa refrescante você não encontra escrito: Corante artificial a base de bixos. Não, não. Ele vem camuflado com o simpático nome de Corante Natural Carmim. Ou, quem sabe, C.I. 75470 ou E120.

Acontece que o Cochinilha já está em nossas vidas desde o tempo dos Astecas! Durante o período colonial Mexicano o Cochonilha era produzido em massa! Só superado pela prata. Era comerciado a valores tão significativos na Europa que seu preço passou a ser negociado na Bolsa de Mercadorias de Londres e Amsterdã.

Mas depois da independência do México o monopólio da Cochonilha passou a pertencer a Guatemala e Ilhas Canárias. Mas o declíneo das "fábricas" de corante Carmim veio mesmo com a descoberta da alizarina, derivada das raízes da garança.

Com a produção dos corantes artificias a produção da Cochonilha praticamente parou, restando poucos só pra manter a tradição mexicana indígena.

Mas ultimamente ele voltou a moda, por não ser cancerígeno nem tóxico. E só um pequeno número de pessoas sofreram choques anafiláticos ao consumí-lo.

Os vegetarianos e defensores dos animais estão numa luta frenética para boicotar os produtos com Cochonilha e a produção do mesmo. Uma vez que se faz necessária a morte de setenta mil insetos pra meio quilo de corante carmim.

Ok, meus leitores queridos, a que conclusão chegamos? Que sorvete Kibon de morango com pedacinhos de inseto é uma delícia!

(creditos ao Wikipédia, a enciclopédia livre - com pequenas mudanças, claro)

 
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