sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cinco Pessoas

A próxima encarnação, o juízo final, o umbrático, o inferno, o purgatório, o céu, o submundo de Hades ou a simples inexistência de vida. Não importa em que você acredita, todo mundo quer esperar alguma coisa depois dessa vida. De preferência alguma coisa melhor que essa.
A gente lê e ouve falar de mil crenças diferentes, de pessoas que esperam encontrar mil coisas depois da morte. Mas a melhor, pra mim, está no livro "As cinco pessoas que você encontra no céu". Anjinhos tocando arpa em nuvenzinhas? Não, não. RESPOSTAS. É isso que todo mundo, no fundo, espera da vida após a morte. E é isso que Eddie encontra na história do livro.
Ele viu todas as pessoas que ele conhecia morrerem antes dele, até que um acidente de trabalho acaba levando ele também. Ao chegar no céu ele descobre que cinco pessoas o esperam para dar algumas explicações.
Pessoas que você conheceu, outras talvez não. Mas todas cruzaram o seu caminho antes de morrer. E o transformaram por completo.
Realmente seria ótimo se isso fosse verdade. Quer dizer, sabe aquelas coisas que acontecem e você se pergunta por que, por que por que? Seria ótimo ter a resposta pra elas.
As cinco pessoas de Eddie também dizem coisas pra ele que todo mundo sabe, mas que a ninguém pensa sobre isso. Como por exemplo que estamos todos ligados, você não pode ficar sozinho porque quer estar sozinho. O único tempo que desperdiçamos é aquele em que achamos que estamos sozinhos. Nada acontece por acaso, não existe isso. Não se pode separar uma vida da outra, assim como não se separa a brisa do vento.
Uma das melhores frases é Você chama de estranhos as pessoas que ainda vai conhecer. Acho que se de fato ouvessem cinco pessoas que você encontraria do céu, você não saberia quem elas são.
Mesmo assim eu fiz uma lista de cinco pessoas que cruzaram minha vida, que de algum modo mudaram alguma coisa em mim.

1ª pessoa - O garoto da pré-escola: Desculpe, não lembro o nome dele. Mas me lembro do rosto, do cabelo branco de tão loiro, os olhos muito azuis. Nós tínhamos 6 anos na época e todos os dias eu o esperava ou ele me esperava na frente do portão da escola. Talvez ele tenha sido uma espécie de "primeiro amor" ou sei lá. Ele guardava meu lugar na frente! Se isso não é amor eu não sei o que é. Então quando o portão abria nós apostávamos corrida até a sala. Eu esperava o caminho inteiro até a escola por essas duas curvas para a direita. É claro que ele sempre ganhava, mas ainda assim era emocionante.
2ª pessoa - Tia D.: Ela foi agregada da minha família por um tempo. Quando meu avô morreu eu fiquei na casa dela enquanto todo mundo resolvia as coisas. Ela tinha um armário cheio de livros e me emprestou alguns pra eu me distrair. No dia em que eu fui embora ela me deu um deles. Era "Aventura na Ilha do Meio", da série Vaga-lume. Era um domingo de manhã e ela me pediu pra que ligasse pra ela quando terminasse de ler. No domingo a noite eu telefonei.
3ª pessoa - K.: Eu tinha uns 11 anos e estava num acampamento da igreja, numa colônia W. Não me lembro direito dos detalhes, mas parece que alguns habitantes não estavam felizes com a gente lá e começaram a circular o lugar de carro, dando derrapadas e essas coisas. Aí mandaram todas as crianças pros alojamentos. O alojamento era algum tipo de internato desativado, tinha alguns móveis velhos, um piano antigo, uns quadros sinistros e dava MUITO medo. Então essa menina, a K., que era alguns anos mais velha que eu e minhas amigas deixou que experimentássemos suas sandálias salto 15. Quando as luzes apagaram no toque de recolher ela contou a história de Joana D'arc.
4ª pessoa - meu avô: Por algum motivo ele me odiava. Pelo menos é no que eu acreditava. Nós sempre brigávamos, nunca conversávamos nem mesmo nos encarávamos por muito tempo. Ele era palmeirense e eu corria pela casa com uma camisa do corinthians pelos joelhos. Ele sempre dava o troco dos cigarros pro filho do vizinho. Mas quando ele ficou doente, por algum motivo, ele quis me ver. Ele nem falava mais. Acho que eu o encontraria não para explicar minha vida, mas pra me dizer o que não pôde.
5ª pessoa: Só tinha um nome que eu pensava em por aqui. Mas aí eu pensei em todas as pessoas que eu ainda vou conhecer, todas as pessoas que eu esqueci e não deveria ter esquecido. E percebi que cinco pessoas é muito pouco. E algumas das explicações que você quer ou pode dar não precisam esperar até a próxima vida, ou até o juízo final, ou até o encontro com os senhores do carma. As vezes as respostas estão na nossa cara, mas a gente só vê o que quer.
Seria ótimo saber que um dia teremos as respostas, mas seria ainda melhor tê-las aqui mesmo, sabe, respirando, vivendo, essas coisas. Fora a pessoa que não dá pra encontrar, de algum jeito seria bom encontrar as outras quatro pessoas. Afinal eles não são estranhos.
É um bom dia pra pensar em Cinco Pessoas que você encontraria no céu. Ou Cinco Pessoas que você gostaria de reencontrar na terra, como preferir.




"Amor perdido ainda é amor. Ele assume uma outra forma, só isso. Você não pode vê-lo sorrir, não pode lhe trazer o jantar, não lhe faz cafuné nem rodopia com ele pelo salão. Mas quando esses prazeres enfraquecem, um outro toma o seu lugar. A lembrança. A lembrança se torna sua parceira. Você a alimenta. Você a segura, Você dança com ela. A vida tem de acabar. O amor, não."
-Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu


4 maldades alheias:

Diego Dias disse...

Confesso que quase não comento por aqui rs, vi o comentário lá e pensei que não valeria a visita, sabe como "Ah, pura jogada de marketing neh espertinha!" rs, mas como sou extremamente curioso resolvi da um crédito e percebi que a leitura me agradou profundamente.

Sabe, cada um tem seu jeito de se expressar, eu por exemplo vario muito entre extremos de reflexão e ao mesmo tempo estouro fácil. Não tenho travas com as palavras e geralmente o que digo atrai amantes sinceros dos meus textos ou afasta as pessoas logo de cara. No entanto gostei da sua forma de escrever. É séria e ainda sim fácil de compreender. Difícil de explicar, posso dizer apenas que gosto disso, bastante.

Em relação ao texto, fiquei feito bobo pensando nas 5 pessoas que eu possivelmente encontraria caso eu tivesse alguma crença e a seguisse fielmente, mas ainda sim não consigui. A idéia de encontrar apenas cinco das dezenas que eu gostaria de rever me atormentou um pouco. Melhor deixarmos para encontrá-las enquanto ainda há tempo, neh? De preferência, vivos rs

Grande beijo

Por que você faz poema? disse...

Assim como Nick Hornby
também sou viciado em listas.
Não demorarei a listar
minhas listas preferidas.

Roberson disse...

Muito difícil listar apenas 5 pessoas que mudaram nossas vidas ou das quais almejamos respostas. Só não fiquei frustrado ao ler seu texto porque finalmente descobri a gênese das "corridinhas" na faculdade! HAHAHAHAHA

Beijos!

Mikaelly Flor disse...

Fiquei curiosa em ler o livro, muito interessante.
Estava lendo sobre as 5 pessoas que você veem falando e ao mesmo tempo pensando quais cinco poderia ter esse encontro futuramente.


beijos.

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