sábado, 6 de novembro de 2010

Possibilidades

Talvez eu devesse, desde o começo dos começos, não ter sonhado tão alto. Talvez só um pouco mais baixo, deixando apenas a ponta dos pés tocando o chão, já seria o suficiente. Mas não. Eu tive que escolher viver sempre flutuando. Quando eu era criança a esperança era infinita e os sonhos ultrapassavam os céus. Mas quando se cresce a esperança fica escassa e os sonhos não foram avisados disso. Começam a morrer de fome e de sede, lambendo as fagulhas de esperança dos cantos pra sobreviver. Por que o que mais alimenta os sonhos se não a esperança de que eles podem vir a acontecer?
Tudo era tão verde. Mesmo meu mundinho particular parecia tão vasto e cheio de canções conhecidas e chocolate caindo na camiseta e tombos de bicicleta. Embora só uma parte de um todo me fosse apresentada, era o que bastava. A felicidade estava sempre a um passo de distância, ao alcance das mãos. Eu ainda lembro o som da risada. E me pergunto como pude ser tão irresponsável a ponto de perdê-lo. Onde foi que o deixei? Talvez espremido entre o som de um insulto e um soluço. Talvez eu tenha desaprendido a ouvir.
Então um dia uma estranha no espelho me disse que estava na hora de crescer. E me ensinou a ser realista. E me ensinou uma palavra nova: Possibilidades. Despedaçou e queimou meu mundo perfeito erguendo um verdadeiro inferno sobre as cinzas. E a esperança virou uma lembrança, uma sensação fria no lugar, como imagino que seja pra quem perde um braço ou uma perna. E me convenceu de que o melhor a fazer era esconder meus sonhos dentro de uma caixa com tranca, como se fossem um segredo obscuro.
Mas confesso que enquanto a estranha não está olhando eu abro a caixa. Eu olho pra eles, seguro firme entre as mãos e me permito acreditar, só por um segundo. Eu os alimento. Afinal eles são meus. Eu deveria poder fazer com eles o que quisesse. Acontece que nem todos os sonhos podem tornar-se realidade, não importa quão forte seja a vontade de realizá-los. Mas como eu poderia saber disso anos atrás, quando os construí? Se quando os moldei em minha mente tudo era possível? Agora a vida matou meu sonho.




"Tente. Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas."

3 maldades alheias:

Tairane Colen disse...

Nossa, me identifiquei com o texto. Muito lindo.
http://tracophino.blogspot.com Vou te seguir, tá?
Beijos.

Tha Damascena' disse...

Muito bom o texto *--*
parabéns :*

William disse...

De acordo com a possibilidade alheia de refletir, o necessário mesmo é a passagem vasta da obscuridade humana.
Eu gostei do blog. To seguindo, se puder retribuir, agradeço.
Sucesso!
www.tocadowilliam.com

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